Mostrando postagens com marcador Radiohead. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Radiohead. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de dezembro de 2017

Radiohead: Meeting People is Easy

Há um tempo baixei o documentário do Radiohead Meeting People is Easy, por puro saudosismo. Então, dia desses assisti.

Estou me especializando em resenhar documentários, né? rs

Lembro de ter visto ao documentário no Lado B, programa indie da MTV nos anos de 1990, mas eles não passaram inteiro, o doc tem 1h37 enquanto o programa da MTV contava com apenas 1 hora. Então, assisti a uma edição do programa. Nunca tinha assistido inteiro até então, talvez porque tenha pensado na época que era o programa inteiro, o certo é que vi inteiro e infelizmente a gravação que baixei estava com o som fora de sincronia, um crime em se tratando de Ok Computer, que é praticamente toda a trilha sonora do documentário.

Meeting People é sobre a turnê de divulgação de Ok Computer do Radiohead, mais especificamente sobre a parte da turnê em que havia uma comoção com o álbum e com a banda.

Assistir nos anos de 1990, em 1998, 99 era sagrado, era assistir balbuciando as músicas como um mantra, era assistir com toda a vontade do mundo, torcendo para que a turnê viesse ao Brasil e aumentasse meu fanatismo pela banda.

Lembro quando comprei e ouvi pela primeira vez Ok Computer foi simplesmente um cartase, cada som ouvido, cada música era algo divino, era algo mágico e eu estava embebecida com o que meus ouvidos sentiam naquele momento. Cada letra, cada música e eu parecia entrar num  transe. Parece até loucura, mas me lembro como eu ouvia e ficava vidrada com as músicas, em especial por Paranoid Android que pra mim era tudo de novo, de louco, de grande de... de... sem palavras, só sentimentos.
E assistir ao documentário era simplesmente especial e ver fanaticamente a banda viajando por tantos locais e não pelo Brasil, ainda. Era assistir como quem assisti a um culto, uma missa e fica só ouvindo e levando consigo o que havia de melhor, um sentimento de gratidão em poder ver - já que era tão difícil assistir em qualquer outro lugar porque era VHS e teria que comprar um pirata na Galeria do Rock.
Lembro que na edição da MTV terminavam com a cena que Ed O'Brien tenta consolar as japonesas que se despedem deles e ele dizem "Voltamos em 2 anos" e eu só pensava e agente???

A gente só em 2009, mas valeu muito a pena, foi um show inesquecível na Chácara do Jockey, ainda mais que foi um dia depois do meu aniversário. Pulei, cantei, gritei, tirei fotos com meus amigos e foi inesquecível! 


Vendo inteiro agora a Meeting People, assisti com calma, friamente e vi melhor o que a banda sofria com as intermináveis entrevistas para rádios, as intermináveis viagens e até Thom Yorke ser barrado pois não achavam que ele era da banda, apesar que ele estava com Michael Stipes, do R.E.M., acredito que era um show do R.E.M., então.
As intermináveis fotos.

Mas uma coisa eu senti do mesmo jeito, a gravação de No Surprises, o vídeo, senti a mesma aflição que da primeira vez em ver Thom Yorke quase se afogar pra fazer o clipe.

Hoje eu vejo o documentário como uma denúncia de como é estafante a vida em turnê e como é ganhar vários prêmios sem entender bem porquê, pelo menos é a impressão que dá quando falam das premiações. E isso me lembra o Nirvana e Kurt Cobain.
Acho que muitos artistas quando a fama se torna tão grande começam a pensar "calma, aí! quero minha vida de volta!". Diferente de muita  gente que sobe à cabeça.
Meeting People is Easy é sobre isso. É muito fácil conhecer pessoas como diz o título difícil é viver para isso.

Acredito que hoje o Radiohead não sofra mais desse mal o auge da loucura da mídia e dos fãs passou (eu acho), e acredito que o show deles ano que vem aqui seja menos frisson, pelo menos para os que viram em 2009, mas na verdade veremos uma banda madura, que passou por essa loucura e continuou a se reinventar, que continuou em frente, passando por cima de todas a fama frenética que tiveram e que sabiam que era passageira e por isso continuaram na estrada do seu modo com mais cautela e mais sabedoria.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"No matter what happens now/ I won't be afraid/ Because I know today has been the most perfect day I've ever seen"

Era o show esperado por todos, por mim, espero por 15 anos, desde o dia que ouvi, em 1994 e foi meu primeiro hino ao fracasso amoroso.
Como poderia dar tão certo?
Como poderiam surgir os "creeps" depois dessa música? Eu devo ter sido a primeira.
Chorei muito ouvindo essa música, sofrendo dramaticamente (coisas de quem ainda estava saindo da adolescência, mas parecia não querer sair...) por um cara que tinha namorada e não a deixaria pra ficar comigo, a melhor amiga - dureza - Creep era a minha salvação. Era o meu consolo, saber que mais alguém consegui exprimir o que eu sentia em música.

Comprei meu ingresso no primeiro dia de venda, o medo de perder o show dos meus sonhos seria um pesadelo rs
Aguardei pelos nomes que também tocariam no evento.
Estava preparada para que o Radiohead não tocasse todas as queria ouvir, afinal, eram cds de mais e nenhum show no Brasil pra contornar essa carência de ouvir todas essas faixas ao vivo. Só que o pior foi quando soube do Losermanos... aí foi dose...
Mas não falaremos dos inomináveis, falemos de coisas boas!

Esquenta e Aqueles que não se deve nomear
Um dia depois do meu niver, que presente pra mim!
Ainda encontrei com amigos e dividi meu bolo de niver com eles, uma forma de fazer um "esquenta Radiohead", minha prima que ia comigo estava preocupada, os amigos dela queriam chegar cedo pra pegarem bons lugares, deixei que ela fosse na frente. Não ia chegar cedo e aturar vocês-sabem-quem, não, não queria ouvir nem falar naquelas coisas...
Batemos um bom papo no shopping, comemos bolo e fomos tranquilamente pegar o bus pro show - no Terminal Bandeira - o ônibus que estava saindo estava abarrotado de gente, esperamos outro, éramos quase primeiros da fila pro próximo bus, pra que se estressar?
Minha prima me ligava perguntando onde eu estava, preocupada de não nos encontrarmos e marcamos um "bat-local" pra saida.
Chegamos na Chácara do Jóquei e a entrada ainda era longe... em outra rua... mas escutávamos de lá Voldemort e seus aceclas rss
E eu pensando "tomara que quando eu chegar lá dentro já tenha acabado essa merda!!"
Infelizmente não foi assim, daí resolvi fazer meu protesto e "assistir" ao show de costas. Fiquei de costas quase o show todo - ou o que restava do show que pra mim foi torturante, pareciam dias intermináveis - tirei fotos com os amigos, tirei fotos minhas, xinguei um monte e queria ver algum daqueles fãzinhos que mais pareciam emos virem tirar satisfação comigo. Será que fã de losermanos é emo?
Pelo menos pareciam com aqueles cabelos e seus montes de pares de all star... umas meninas pareciam chapadas cantando, pulavam como loucas, pareciam em transe, gritavam as músicas como se estivessem num Festival da Canção de 1968. ah! é ! eles pensam que são Chico... só se for ficar de chico rss
Achei os fãs deles a coisa mais bizarra que já tinha visto na vida (e olha que já vi tanta coisa na vida...), pareciam bandos de tresloucados metidos a intelectuais, parecia que todo mundo ali morava na Vila Madalena e não fazia nada o dia todo (o que deveria ser mesmo verdade) e papai paga as contas do psicanalista e a escolinha cara de violão.
Papai também vai pagar o médico do pulmão quando ele se estourar de tanto cigarro e baseado e congêneres?
Achei um bando de ridículos!! Como a banda que eles amam! Público e banda casam certinho! Casamento perfeito!

Ainda eles tocavam e resolvemos tentar achar minha prima, claro que não ia achar mesmo, mas o Pésio usou isso de desculpa para nos infiltrarmos nas trincheiras inimigas enquanto eu passava e gritava "acaba logo, porcaria!"
Fomos até onde conseguimos, sabíamos que os fãs doentes, tietes histéricas por barbas iriam embora assim que a festinha hippie de boutique deles acabasse. Dito e feito!
Fomos mais ainda pra frente!
E eu vi estupefada umas meninas (se elas não estavam chapadas, eram realmente doentes mentais...), elas falavam entre si: "Gente! acabou! eles estão indo embora!!! Acabou mesmo!!!". E se olhavam com caras de espanto, de sofrimento, como se Deus tivesse as largado no purgatório naquele momento... como se estivessem saindo de um transe... é, os hipnotizadores de pseudo-intelectuais tinham ido e o surto tinha acabado... precisariam de uma nova dose pra viver, quem sabe no Sesc Pinheiros... com um bom baseadinho, disfarçado no cigarro de canela... quem sabe na Sociais lá na USP se fingindo de comunistas que vão embora de Hiundai pra casa...

Kraftwerk
Já tinha visto alguns clipes dos tiozinhos na MTV, nada que me chamasse a atenção. Só que o show deles foi muito diferente: aqueles quatro senhores em seus "laptops" que todo mundo dizia ao meu redor: estão conversando no msn, escrevendo recados no orkut! Orkut não! Facebook, Myspace! Me surpreenderam, principalmente com o tanto de gente ao meu lado cantando as músicas deles...
Os efeitos dos telões eram o mais legal!
De se encher os olhos e uma das músicas me chamou a atenção por saber que o Franz Ferdinand "roubou" o comecinho deles... ou um pouco da melodia...
só que eu só ia ficando mais ansiosa e não via a hora daqueles senhores terminarem com o show...
Ainda mais com um cara muito louco, com a camiseta do Radiohead feito turbante e barbudo, parecia Osama bin Laden meio indiano...
Ele enrolava seu baseado e um casal apareceu pra conferir o negócio, não era bem um casal, era um casal de momento talvez, sei que ela tirou foto dos dois e dela fumando baseado, foto do baseado... pelo sotaque era do interior, típica mocinha de família interiorana cheia da grana que paga as vontades de virgenzinha pura (pra eles, claro)... sim... aquela que fumava um senhor baseado (talvez com sentido fálico, quem sabe? rss) e que pra conseguir o seu despachou o rapaz que estava com ela e deixou o Osama dar umas paqueradas nela. Coitado, não conseguiu nada, ela, em compensação, conseguiu: seu baseadinho e uma historinha pra contar pras amiguinhas que não sabem como é o povo de São Paulo (e muito menos a amiguinha do interior).
Aquele fedor de maconha era o pior, insuportável... já estava me imaginando, outra vez, ficando chapada passivamente... como na escola...

Finalmente eles!
Demorou para montarem o palco, tudo diferente com aqueles cristais e toda aquela parafernália, homens que subiam ao teto do palco para organizarem tudo. Perfeccionismo, cores estavam por vir.
Apagam-se as luzes e... a plateia explode!
O primeiro que consigo visualizar no meio da gritaria e loucura do público foi Ed O'Brien, ver Ed foi como um sonho: ele estava ali, o mais lindo deles (eheheeh) do meu lado, iria tocar o show inteiro do lado que tive a sorte de ir.
Vi Thom Yorke a seguir e pensei comigo "p*ta que pariu! é ele mesmo!!! é de verdade! é real!ele está ali no palco e eu estou vendo-os de perto!!"
Todo mundo pulando muito e começam com "15 Step". Quando tocaram There There não teve jeito de não me empolgar e perceber que todo mundo estava empolgadaço!Uma menina ao lado pula segurando na minha mão rss isso foi muito engraçado rs ela se segurava pra pular e aí olhei pra ela, ela olhou e percebeu, tipo "o que eu estou fazendo?" rss

Pra mim, o primeiro grande momento, depois do comecinho, foi com Karma Police! Como eu cantei/gritei a plenos pulmões!
Parecia que todos ali estavam hipnotizados... íamos acompanhando a voz de Thom Yorke e eu admirando a todos no palco, vendo o Johnny tocando com os cabelos na guitarra, daquele jeito costumeiro... Ed O'Brien um colírio, Thom magnífico, espetacular ver aquele cara feinho com voz dos deuses...
Aquele palco era impressionante... o telão, as imagens atrás do palco que davam um toque todo especial, mostrando ângulos dos rapazes tocando... valeu cada centavinho!
O engraçado é que ao vivo eu gostei muito mais das músicas do Kid A e Amnesiac, até quando os ouvi pra me esquentar pro show eu também curti! Parece que eu precisava de maturidade pra entender essa fase do Radiohead... o Pérsio também disse isso na sua "resenha" sobre o show...
Fiquei ansiosamente esperando pelo final, queria que repetissem o que fizeram no Rio: Creep!
E foi maravilhoso ouví-la depois de tantos anos, lembrar que a primeira música deles, foi a primeira que ouvi e que marcou uma fase da minha vida, uma fase realmente "creep"...
Foi fantástico, fazia tempo que não ficava me espremendo num show pra assistir mais de perto...
Cara, eu vi o Radiohead! A ficha ainda não caiu!

Setlist:
15 Step - There There - The National Anthem - All I Need - Pyramid Song - Karma Police - Nude - Weird Fishes/Arpeggi - The Gloaming - Talk Show Host - Optimistic - Faust Arp - Jigsaw Falling Into Place - Idioteque - Climbing Up The Walls - Exit Music (For A Film) - Bodysnatchers. Bis 1: Videotape - Paranoid Android - Fake Plastic Trees - Lucky - Reckoner.Bis 2: House of Cards - You and Whose Army - Everything In Its Right Place. Bis 3: Creep