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segunda-feira, 4 de julho de 2022

Da Depressão de cada dia mal compreendida

Para a maioria das pessoas, depressão ainda é vista como frescura, fraqueza. Por mais que as pessoas se digam compreensivas, basta uma palavra sua sobre não estar bem e já vem as pedradas. Porque querem ver você bem, mas de boas intenções...
Começam: bola pra frente, não é assim também, por que você não faz assim...? 
Sabe, isso cansa. 
E cansa muito!
E tem os que passaram pelo mesmo, que você deu o maior apoio quando precisaram, agora só sabem te criticar ou ignorar...
É fácil falar do outro quando se está bem, é fácil mandar você seguir em frente quando não sabe nada da minha vida.
Não saber o quanto chorei na cama (que é lugar quente) por anos. 
Quantos desaforos, vergonhas, assédios e bullyings eu passei.
Quanto desamor.
Quantas frustrações.
Nunca ser respeitada.
Nunca ter com quem conversar.
Nunca ter onde se apoiar.
Ser enganada por falsas amizades, falsos parentes, falsos amores.
Ser sempre motivo de chacota.
Ser a chacota.
Só ser querida quando precisavam de mim.

Se você não passou por nada assim sua vida toda, você não tem o que dizer e eu nem quero. Você não entende.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A dor que ninguém percebe

Quantas vezes você pensa que está bem, que tem total segurança de si e na verdade você se enxerga de forma errada?

Isso acontece com quem é depressivo, o depressivo cria uma imagem de si e do mundo desfocada, acredita num verdade que existe e por isso sofre, por acreditar piamente nesta verdade que é só dele e não a verdade propriamente dita.

Isso vem acontecendo comigo há muito tempo e só hoje soube disso.
Sou depressiva mista, como a psiquiatra me diagnosticou e meu diagnóstico estava errada há 10 anos, quando comecei a fazer tratamento psiquiátrico para depressão.
Fui diagnosticada com depressão "normal" ou clássica. Aquela que a pessoa fica ali parada, sem ação e sem reação a nada. O que nunca fui, mas quando fui a primeira vez ao psiquiatra eu deveria estar. Estava prostrada, no fundo das minhas forças, só chorava e dormia, não conseguia comer e quando fui ao médico disse a ele: por favor! eu não aguento mais! faça alguma coisa, pois não estou suportando!

O desencadeamento disso tudo foi um fim de relacionamento não muito bem estruturado e ainda, meses antes, eu havia sido vítima de uma ameaça de morte enquanto dava aula para crianças da antiga 5a. série (hoje sexto ano). Soma-se tudo isso a uma infância e adolescência desajustadas, com um pai alcoólatra e controlador, podador. Uma hora iria tudo explodir e foi há 10 anos que tudo explodiu quando aquele cara que pensei que me amava tanto e que parecia ser o cara certo pra mim simplesmente sumiu porque se interessou por uma garota totalmente oposta a mim e ao que ele dizia gostar em uma mulher.
O sofrimento foi lancinante, tudo que aos meus olhos parecia certo, estava errado (e nem era ainda os olhos de uma depressiva), o caso é que eu sofria muito e fui diagnosticada com depressão leve.

Essa depressão leve, por mostrar as características do que eu sentia naquele momento, esconderam, acredito, o verdadeiro diagnóstico, o de depressão mista (com espectro bipolar) e isso só vem me prejudicando até hoje.

Depois de anos a fio sofrendo e não vendo melhora, vendo muitas coisas darem errado, pensar coisas erroneamente sobre meus amigos e só me frustrar com a 3a médica que me tratava e não modificava nunca meus remédios, por mais que eu dissesse que não me sentia bem, que sofria, que nada me dava prazer, que comia compulsivamente e minha estima ia lá embaixo - porque uma garota de 58kg se transformou num balão de 76 kg - e não conseguia se amar e achar que alguém pudesse amá-la verdadeiramente porque tem muito medo de sofrer de novo, de voltar ao sofrimento inicial e de não se boa o bastante para ninguém; acordei. Na verdade, um amigo me acordou e me indicou uma nova médica.

Na consulta de hoje descobri que sou mista e que esse espectro bipolar não quer dizer que sou bipolar, mas que não tem uma reação só (ficar deprê) eu também me zango, fico revoltada, saio xingando e reclamando de tudo e todos; às vezes torrava meu dinheiro em box de séries que nem assisti e livros que nem li. Tudo um destempero que o "depressivo clássico" não tem, mas eu tenho. Daí esse "mix" da depressão.

Ao ouvir a médica me explicar tudo e eu relembrar que sim, eu muitas vezes pensei muito errado de mim e dos outros; sim, eu muitas vezes me enfureci na minha frustração com as coisas que não aceitava e não levava desaforo pra casa; eu percebi que passei os últimos 10 anos (ou até mais, antes de ser tratada de alguma coisa) brigando comigo e com os outros e quanto mal fiz a mim e as pessoas mais queridas que estavam ao meu lado.

Tudo isso porque não fui diagnosticada da forma correta e nem tratada da forma correta. Hoje tenho labirintite graças ao erro médico, assim como um sono em excesso e minha enxaqueca que não melhora, tudo porque não fui tratada adequadamente. E a médica disse que isso poderia até piorar, eu poderia virar, sim, uma bipolar verdadeira ou ir pra outras doenças psiquiátricas piores.

Pensei muito nisso tudo e me deu vontade de escrever pensando exatamente que um monte de gente pode estar se tratando agora de forma errada e nem sabe. E o sofrimento continua.
Gostei muito da médica, pois ela me fez várias perguntas de várias coisas que realmente eu sinto e parecia que ela adivinhava (isso se chama muito estudo e prática) e também me tratou com humanidade, o que é difícil nos médicos em São Paulo (meu irmão diz que no Rio eles são muito mais atentos).

Saí de lá aliviada, pensando que vou enxergar talvez como nunca enxerguei o mundo, assim que a medicação fizer efeito e essa for a certa pra mim. Isso me deu muito mais esperança na vida, de realmente acertar as coisas e não fazer tantas besteiras por ter pensamentos, julgamentos e ações erradas sobre mim e sobre os outros.
Tudo isso me causa um sofrimento grande, tenho sofrido nesses últimos 10 anos por estar sendo "destratada" e por não saber direito o que é que eu tinha. Agora me sinto confiante para mais coisas na minha vida, para ter projetos concretos e talvez perder o medo da vida.

Imagina o que é sofrer anos por medo da vida e por vê-la através de um óculos embaçado?
Eu sei e muitos também sabem e espero, que como eu, encontrem um profissional que realmente os ajude.