domingo, 2 de agosto de 2015

Os shows que vi - parte 8 - Londres V

Última parte dos shows visto em Londres, até agora (claro, né?)

62 Adele - HMV -  Apollo Hammersmith - 20/09/2011
Esse show tem altas histórias...
Em primeiro lugar, era mais um show esgotado, dias 19 e 20 seriam ali em Hammersmith, praticamente 2 pontos de ônibus da casa que morava na época (o Apollo fica do lado da estação de metrô de Hammersmith). Depois, os próximos shows dela, naquela semana, eram no The Royal Albert Hall e seria gravado o DVD do show. Aquele famoso...

Sabia que estava esgotado, mesmo assim fui ver alguns preços no centro, na região da Picadilly vendiam para turistas nas casas de venda de ingressos para espetáculos, eles já não tinham...
Depois, quando saí do trabalho, pensando exatamente em ver se conseguia um ingresso, no metrô de Hammersmith, na passarela já tinha um cara vendendo a................. 600 libras!!!!!!!
Fiquei assustada... pensando, dessa vez não vai dar... é muuuuito caro e ela estava apenas no auge do sucesso no mundo todo... até eu fui mordida pelas dores de cotovelo de Adele... mas ela canta muito! Presenciei isso ao vivo, sim, eu consegui o ingresso, né?  Claro, continuando a saga...
Daí fui pra porta do show ver se conseguia comprar, muitos cambistas vendendo caro, todos que eu procurava era num preço exorbitante e eu não era a única a procura de um ingresso.
As pessoas se mexiam, iam conversar com um e outro pra ver se conseguiam... cambistas querendo, 300, 200 e tantas e tantas libras...
Tentava as pessoas pra ver se alguém tinha um sobrando, eu e outras pessoas tentamos ingressos que poderiam ter sobrado ou ter sido devolvidos no Apollo e... só alguns poucos que não chegavam no meu lugar na fila...
Encontrei brasileiros do Rio Grande do Sul, conseguiram comprar de uma pessoa que não iam, pagaram 60 libras, outras pessoas iam conseguindo e eu ficando com raiva de não conseguir...

Estava eu e outras pessoas desoladas porque o show estava quase para começar e nada de conseguirmos ingressos, daí chegou uma mulher com um ingresso e DEU para a menina ao meu lado!!!! Se eu estivesse no lugar dela, seria pra mim! Não sei o que aconteceu, mas a mulher chegou, entregou pra ela, que olhou surpresa e feliz (e eu mais surpresa ainda por um gesto daqueles feito por uma inglesa...) e a mulher a abraçou (me surpreendi mais ainda) com cara de choro e a menina foi pro show e eu e os outros ficamos lá admirados pensando: Que Sorte!

O show ia começar e... Adele já ia entrar no palco, esperei mais um pouco e um cambista virou pra mim e disse "ok, 50 pounds!" e comprei! comprei por 50 libras um ingresso que na verdade custou 35£, na parte de cima do Apollo, como se eu ligasse... eu tinha ingresso!!!!



Entrei e Adele também estava entrando... fiquei parada ao invés de ir pro meu lugar e bati a foto de alegria! Ela estava linda, o palco lindo... tudo tão perfeito!
E aí foi só cantar junto com ela e todas as vozes femininas do Apollo, o público era de 95% mulheres e só escutava nossas vozes, lindo cantar com ela... lindo, emocionante e o mais legal eram as coisas que ela falava, todas riam porque era aquela coisa a música é dor de cotovelo, mas  os homens que fuck off e mostrava o dedo no estilo inglês e todas aplaudiam.
Adele, naquele momento, não era só uma diva da música, mas uma interprete das alegrias e tristezas românticas de todas as mulheres, por isso cantávamos com ela, por isso adorávamos o que ela dizia: era como se a nós tivéssemos voz, e que voz! Foi aplaudida de pé:

video

63 - Echo and the Bunnymen -  London Palladium -  27/09/2011

O show do Echo eu não lembro se estava esgotado, mas saí também do trabalho e fui pra lá, um dia antes fui ver onde era, com desconfiança porque era muito no centrão... uma travessinha na Oxford e um local que costuma só  ter apresentações de musicais (apesar de os Beatles terem tocado lá).

Cheguei em vantagem de horário e fiquei esperando começar, sentadinha. O local é todo de cadeiras, mesmo na parte baixa, esperava a banda de abertura que foi....

... o próprio Eco e os homens coelhos!! Sim! Eles fizeram DOIS shows, o de abertura com músicas de todo o repertório conhecido e depois só o show de Ocean Rain.



Acho que essa foi a coisa mais curiosa que já assisti... a banda ser sua própria banda de abertura rs eles quiseram dar uma palhinha de tudo pra esquentar mais ainda o que viria!

Lembram daquele casal que estava no Manic Street Preachers e eu falei pra lembrarem deles? rs
Aqui a figuraça da mulher! Não tinha como não ser o mesmo casal! Sempre levantados e pedindo pro povo levantar, e seus copos de cerveja!
Só consegui tirar a foto dele e também... não ia ficar tirando a foto dos dois o tempo todo, né? Mas eles têm bom gosto pra música.


Adorei o show deles, pensei que ia perder várias músicas por ser só o show de um disco, mas com a abertura e o bis com Lips Like Sugar tudo foi perfeito! Quer dizer, ficar sentada não é tão legal rs mas o povo se animou e levantamos, ufa!

Quando começou só Ocean Rain, o palco também deu um show a parte com o visual de fundo. 
Achei o Ian de poucos amigos, mas ele é inglês, então estava no lugar certo rs
No final, a moça que sentou ao meu lado procurava o cartão de crédito que ela tinha deixado cair, tentei procurar com ela, olhando nos bancos próximos, uma coisa que no Brasil qualquer um faz, mas  a moça ficou tão surpresa comigo que me disse "Thank you! You're so kind!" Sim, dificilmente um inglês ou outros se preocupariam em olhar e ajudar a moça, eles são educados, mas não são gentis a esse ponto, isso seria passar do limite pra eles...

Conto o Echo como ter visto duas vezes? rs

64 - Jonathan Wilson, um rapaz jovem, com cabelos à la Jesus Cristo etc, bonito, cantando um folk
norte-americano muito bom, era a abertura para o 65 -Wilco, no Roundhouse Camden, 29/10/11.
 Vi o show dos caras de pertinho, um público tranquilo e comprei o ingresso também tranquilamente no próprio Roundhouse (era bom ter motivos pra ir até Camden).




Eu reparei num pai que foi com o filho, acho que queria que o garoto gostasse de Wilco, mas parecia que daquele jeito não ia ajudar, o menino chegou a sentar no chão de cansado do show!!!! Bem, eu não o culpo, devia ter uns 12, 13 anos, deve estar em outra vibe, culpo o pai por levá-lo e talvez até ter feito dele um antifã do Wilco. Porque quando você é obrigado a algo que não curte, ainda mais na adolescência, você acaba por odia aquilo... muitas vezes...
Não conhecia muito bem o Wilco, mas como tinha vários amigos que falavam muito deles, fui ver o show pra ver se curtia e curti, apesar de estar querendo algo mais agitado, como o que viria no outro dia!

66 - The Vaccines - O2 Arena, 30/10/2011
Estava empolgadíssima pra ver The Vaccines, não parei o ano todo de ouvir o CD deles e queria pular muito com eles e com a banda 67 - Arctic Monkeys!!!
principal
Quando vi que eles abriam pros Monkeys não pensei duas vezes! Mas mesmo assim pegue um lugar láaaa no alto do O2 Arena que é gigantesco...
e eu e minha câmera antiga ...
Mais uma vez sentada e tentando pular quando dava... ao meu lado outro pai com filho e amigo do filho, mas dessa vez percebi que foi o contrário: os meninos levaram o pai que olhava como eu pulava - deve ter percebido que eu não era inglesa ou achou que eu estava chapada rs

Excelentes shows! Mas o palco pro Vaccines não foi tão a altura como o dos Monkeys que tinha fundo, telão e melhor iluminação, bem, mas Vaccines chegaram tocando Ramones, então, o estilo tinha que ser bem punkrock do faça você mesmo! Adorei!
O CD dos Monkeys era o Suck it and See então alguma das novas e mais famosas por aqui ainda não tinham sido gravadas.
Esse foi um show empolgadíssimo! Fiquei vendo os ingleses fazerem moshpit, me surpreenderam mais uma vez!

E esse foi o último show que vi em Londres em 2011, depois voltei ao Brasil e começo o post só com Brasil na próxima.



quinta-feira, 30 de julho de 2015

DESfacebookZAÇÃO

Desativei meu Facebook e me sinto uma pessoa mais ativa depois de alguns dias sem... é, ativa depois de desativar!!!

Muito engraçado como você percebe que era algo tão inútil depois que sai de lá.
Quando entrei, achava que assim manteria mais contato com meus amigos, outros que não via há muito tempo... mas não... se torna algo fútil, inútil, corriqueiro, sem valor. A amizade não se intensifica, muitas vezes, nem se mantém. Parece mesmo que as pessoas se mantém suas amigas lá por pura diplomacia, pois você percebe pelos usos que fazem, pelos foras que dão, principalmente as contradições em que caem nas redes sociais... 

E aí eu resolvi parar de tentar manter amizades que não são recíprocas, já foram, não são mais e se não são mais, acho que as pessoas não têm que se enganar. Eu parei de me enganar e gostaria, imensamente, que parassem também.
Se eu encontro a pessoa e a adiciono no facebook e o outro não está na mesma sintonia é só deletar o pedido! Simples! Sou sempre a favor da verdade: não quer, não sente a mesma afinidade, deleta... 

Sinto muitas vezes que as pessoas têm medo de mim... tudo bem, eu sou uma pessoa intempestiva, mas eu tenho melhorado muito meu humor!!! Dois anos fazendo terapia com uma profissional de verdade tem feito bem para que eu repense meu modo de agir com as pessoas e seja mais leve com a vida. Claro, estou tentando e sair do Fb já ajudou muito!
Porque sempre que entro lá é aquela coisa de pensamentos diferentes, discórdias, sarcasmos, ironias, brincadeiras de mau gosto e muito, MUITO gelo... Sim, as pessoas dão geladas... lhe adicionam como amigas, mas dão geladas, lhe ignoram, não respondem suas perguntas, tratam como se você não existisse, então por que adicionar se não se faz questão nenhuma daquela pessoa? 

Dó, pena, diplomacia? Seja o que for, é pior, é muuuuuito pior... e outra coisa que também acontece muito: deixar pra responder depois, olhar o Fb de relance no celular e pensar "depois respondo" e esquece... isso não me magoa, mas eu percebi que estava fazendo muito isso e sei que deve magoar os outros, mas dentro do possível eu procurava responder, mas não achava isso justo, não mesmo.
Tanto que agora, sem facebook, consigo responder meus e-mails, consigo me concentrar mais nos amigos do que dentro do "feicí".

Não deletei a "rede social", minha atualizações ficarão por conta dos aplicativos que uso e estão interligados... (fiquei com preguiça de separar um por um) como andei dizendo, o fb parece um polvo cheio de tentáculos e citei a família Greyjoy de A Guerra dos Tronos que o símbolo deles é a Lula Gigante, além de serem piratas... ou quase...

Vou deixar lá, sempre tem alguém que pode não ter meu e-mail, mas quem tem sabe onde me achar, além daqui, dos outros blogs, do Instagram e do Twitter (esse eu desvinculei do Fb)
Agora estou aberta aos amigos de verdade, à vida, à leveza do ser, à alegria e a aproveitar o que há de bom fora de uma rede social gigante como o Facebook.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Desabafo

A  vida não é como a gente sonha.

Eu já sonhei, quando criança e adolescente que tinha sido trocada na maternidade e que, a qualquer momento, alguém descobriria que aquela não era minha família e minha vida deixaria de ser miserável.

Isso nunca se concretizou, claro, um sonho estranho para alguém com dez anos de idade, mas que já sofria demais para sua idade.
Ter um pai alcoólatra destruiu todos os meus sonhos infantis e adolescentes, um por um a cada novo ano, novas frustrações, novos traumas, novas humilhações, novos bullyings. Tudo girou em torno de uma vida infeliz dentro de casa.

Porque não basta beber, tem que xingar, tratar como lixo sua família, mesmo que seja sua esposa e seus filhos pequenos e até bater. Espancar com mangueira de lavar quintal, pedaço de borracha, cinta e até o lado sem gume de facão.
Tudo pode ser usado para criar filhos para que não tenham autoestima,  perspectiva de vida,  apoio para que se tornem pessoas extremamente tímidas, desconfiadas, ansiosas, inseguras.

Como disse no post anterior só não me matei por causa da minha mãe e da minha avó, só não abandonei minha mãe por medo de que algo acontecesse com ela, mas hoje eu sei que não dá mais para eu cuidar dela e não ter quem cuide de mim.

Tomo antidepressivos, ansiolíticos, calmantes (quando necessário, como hoje que não dormirei bem se não tomar o Rivotril para acalmar meu peito que está tremendo demais). Tomo porque viver não é fácil e eu acho que já cuidei demais dos outros e pouco de mim, daí 8 anos de remédios controlados...

Se eu não fizer nada em breve para que a minha vida realmente mude, não sei se pararei internada ou morta por um infarto fulminante... eu sei que não posso mais ajudar minha mãe, ela nunca se ajudou como eu também sonhava: se separar do meu pai.
E eu não tenho mais idade nem saúde (muito menos vida) para continuar a acompanhar a vida de uma casal surreal, enquanto minha mãe é a Amélia e tenta há anos fingir que está tudo bem ou que vai melhorar fazendo promessa, meu pai está cada dia mais louco (demência alcoólica) e não para, não para, não para, não para, não para.... de fazer escândalos, de nos fazer morrer de vergonha dos vizinhos e parecer que a vida poderia acabar agora porque não se aguenta mais aturar alguém assim...

2016, ou eu mudo  tudo ou eu não suportarei...
Por que só ano que vem? Foi o prazo que dei pra mim mesma e pra minha mãe e porque me formo esse ano e espero começar com novo emprego que eu possa bancar um aluguel longe daqui.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Cobain: Montage of Heck, trazendo à tona minha adolescência

Plena terça-feira, dia 23 de junho, dia normal da semana às 9 da noite e o cinema lotado, sem cadeiras vagas como se fosse um domingo à tarde disputado para um blockbuster.
 Minha sorte foi ter comprado o ingresso pela internet um dia antes e mesmo assim, eram poucos os lugares sobrando e o mais engraçado, justamente um vago, sozinho, num lugar que gosto de sentar: no alto e no meio da fileira.

Estava muito ansiosa para assistir ao documentário, já tinha baixado da internet e pretendia ver agora nas férias, mas como foi exibido nos cinemas, eu preferi. Adoro aquela tela enorme que dá pra notar detalhes e o clima do cinema.

Tinha ouvido falar bem do documentário sobre o Kurt e imaginei que seria bem dentro da perspectiva de alguém que viveu a época e era fã do Nirvana, quer dizer, o que eu pensava sobre ele na época e o que só veio a se confirmar com o livro Mais pesado que o Céu e agora em imagens.

No começo dos anos de 1990 eu era só uma adolescente tentado me encaixar em algum lugar e não conseguindo. Meu primeiro passo mais forte para o rock foi o Pearl Jam, culpa de Alive que via sempre o clipe na TV. Mais forte eu digo porque eu já tinha um influência vinda dos meus tios e da minha mãe que gostava de Beatles. Então, ser fã de rock não era algo surpreendente, mas para todos era rebeldia. E qual adolescente não quer se rebelar de alguma forma?

No momento que vi o clipe de Smells Like Teen Spirit fiquei hipnotizada, não parecia ser o meu estilo, mas aquilo me tomou, aqueles jovens desajustados, se debatendo, balançando cabelos, Kurt no maior estilo largado, abandonado e "não estou nem aí" fez com que me rendesse definitivamente ao Grunge.
Não, eu não me vestia com blusas xadrez, andava de skate ou qualquer outra referência. Nunca fui o tipo de mostrar em roupas o que vem na minha alma... mas hoje uso muito mais camisetas de bandas, coisa que não fazia na adolescência, até porque, para achar uma camiseta era complicado, não tão simples como hoje que qualquer um anda com a camiseta do boneco amarelo do Nirvana e nem sabe do que se trata...
Aquela raiva expressa em música me cativou e mostrou que aquele era o meu lugar no mundo: um lugar em que minhas amigas da escola não estavam, que os skatistas e o pessoal mais antenado da escola estava, mas que eu não tinha amizade. Eu era a nerd, quem quer ser amiga da nerd?
E SLTS pra mim, fala exatamente de como eu me sentia, uma albina, um mosquito, uma nerd, aquela que é renegada e que sofre bulliyng.

Ou vocês acham minha interpretação da letra totalmente nada a ver? Bem, para alguém de 16 anos, era assim e Kurt parecia ter sido o cara que sofreu bullying ou que se sentia diferente, como eu me sentia, me sentia isolada, abandonada porque queria passar na USP, porque queria namorar o Brandon Walsh de Barrados no Baile ou o Jordan Knight no NKOTB (que contraditório rs).
E que depois de perceber que eu não ia ser a garota mais legal da escola porque não usava Pakalolo, 775 e não tinha um tênis Nike ou Reebok o jeito era ficar na minha e continuar a ler (sem entender a maioria das referências sexuais) Milan Kundera ou Umberto Eco. Querendo cada vez me afastar mais daquele mundo em que vivia... da escola, da família, do bairro que sempre odiei.

Senti muito disso no Kurt lendo a biografia e vendo o documentário: ele não se encaixava, ele se fechou pro mundo, ele tinha medo de viver e perder o que tem de bom. Ele era gênio, aplicado no que fazia, mas a retração era maior, o medo do mundo, o medo da multidão de fãs, o nojo da mídia disposta a audiência o aborrecia... e muitas vezes ele era contraditório com isso... queria ser famoso, queria mostrar seu dom, mas não queria a comoção que recebeu, não queria ser um deus. Queria apenas ser ouvido, mas não adorado... adorado falsamente pela mídia, adorado falsamente pelas pessoas.

A relação dele com a Courtney Love eu também comprei como a mídia vendeu à época: ela acabou com o Nirvana e era a nova Yoko Ono, bem, que eu saiba o Chris Novoselic e o David Grohl até hoje não falam com ela... mas as cenas de amor com a filha, principalmente, mostraram a beleza do amor que existia em Cobain, lá escondido, lá guardado. Foram as cenas em que mais chorei porque, por mais que eu entenda esse lado dele, o lado de não querer amar é o que mais fazemos: amamos demais e somos apaixonados pelas pessoas. Mal compreendidos muitas vezes, mas duvido que Frances não o compreendeu revendo essas cenas... claro que ela não duvida do amor do pai, mas infelizmente, percebeu que ele foi mais fraco e deixou as vozes em sua cabeça o dominarem... aquele diabinho que falava foi mais convincente que o anjinho e Kurt fez o que não deveria...

Até hoje rezo, faço preces pelo Kurt, ele precisava de ajuda desde muito cedo, eu também precisava ter tido essa ajuda. Pensei várias e várias vezes em me matar quando adolescente e até meus 21 anos mais ou menos. Quase bebi um vidro de perfume da minha mãe, achando que aquilo poderia dar fim a tudo... (é a primeira vez que falo e escrevo sobre isso), não ia conseguir, sei disso hoje. O que me segurava sempre era pensar na minha mãe na minha avó que eram as pessoas mais importantes para mim e como elas ficariam se eu fizesse aquilo.
Eu era infeliz demais, sofria bulliyng até da professora de educação física no ginásio, no Ensino Médio eu era vista como a pobre sem status que não tem um tênis ou uma roupa de marca cara. A tonta que nunca beijou, que não ia pras domingueiras porque o pai, podador, nunca deixava ela fazer nada... cansei de ouvir colegas de escola e vizinhos dizerem: coitada...

Eu ODIAVA ouvir isso...
Isso me revoltava muito e descobri no Nirvana a válvula de escape.
Meu mantra era Lithium e eu sonhava em tomar Lithium!

I'm so happy 'cause today
I've found my friends
They're in my head
I'm so ugly, but that's okay, 'cause so are you

Toda vez que me sentia deprimida ouvia essa música, tinha ela gravada do rádio, em fita K7.

Ver Cobain: Montage of Heck fez com que muitas coisas vividas voltassem com força à minha memória, coisas que não queria relembrar, coisas que queria deixar para trás, mas que sei que me afetam até hoje em minha vida.

No dia que abri o jornal e li que o Kurt tinha se suicidado eu fiquei tão passada... eu imaginava que aquilo poderia acontecer porque ele já tinha passado mal no show na Itália e aquilo me desolou... Não era possível, pra mim, ele ter feito aquilo... li o jornal e disfarcei para minha mãe, disfarcei não estar tão desolada, disfarcei como sempre disfarcei não me sentir tão mal...

A diferença entre mim e o Kurt é que não tive coragem de me matar e nunca fui mundialmente famosa, mas eu sempre me considerei muito próxima a ele, mesmo ele odiando ouvir da imprensa que seus fãs o sentiam como alguém que falava por eles. Sou de uma geração em que tudo é muito cobrado, a geração do Kurt também, acredito, e cada um consegue ou não lidar com isso. Tudo depende da ajuda que recebe e se enxerga essa ajuda.
O anjinho do Kurt, a Frances, não conseguiu modificar a situação, uma pena para ela que cresceu sem um pai que seria muito amoroso, acredito. Eu consegui virar a situação, mas sempre me escondendo, como faço aqui, escrevendo num blog e poderia ter sido num diário, como o Kurt, a questão é que realmente não sei como virei a situação, talvez tendo sido covarde em me matar ou por pensar na minha mãe e na minha avó e no sofrimento delas... talvez elas foram minhas "anjas" que me salvaram...

domingo, 14 de junho de 2015

Os show que vi - parte 7 - Londres IV

Depois dos festivais do verão londrino ainda temos os shows em locais fechados...

59 - Weezer - O2 Academy - Brixton - 06/07/11

Este show do Weezer eu fui sem ingresso também... comecei a fazer isso, sabia que era sold out e ia pra ver se comprava de alguém e achei uma moça que queria vender, fui até um banco eletrônico, tirei o dinheiro e paguei o preço impresso no ingresso. Já estava virando habituée em Brixton, acabei por curtir aquela região, antes tão mal falada, gostava demais do mercado/feira de lá.

Tive que sair do Império do Fado com alguma folga pra chegar lá a tempo, ou seja, terminar meu trabalho antes das 20:30 pra chegar em Brixton às 21h e ainda comprar ingresso... Não, nunca vi um show atrasar em Londres...
Eram poucas estações de trem até lá, peguei a Victoria Line em Victoria (oh!) pra não fazer baldeação, senão teria que ter pego a Saint James e aí me atrasaria, fui andando uns dois ou três quarteirões até Victoria... só mais quatro estações!

O interessante é que sai correndo, mas... peguei o trem com meus patrícios!
Sim! A portuguesada toda mora onde? No bairro português! Em Stockwell (a estação em que Jean Charles morreu... e onde ele morava)...

Como a empresa que trabalhava era toda dominada pelo arrebita, encontrei o cara que me deu o emprego e que andou me xavecando algumas vezes (isso, só no outro blog), eu percebi... não sou vurra, ôpá! E eu soube que ele tinha uma noiva e está na plataforma com ela, a linda gaja mais gorda que eu e entendi: ele gosta de mulher rechonchuda. 
Os homens são engraçados, né? Ele fingiu que mal sabia quem eu era enquanto os outros perguntaram pra onde eu ia... rs
Eu dise que ia pra Brixton, tinha um compromisso lá...

E larguei a portuguesa... só que o trem parou... me senti Jean Charles quando ele disse que o final era ali, em Stockwell... tive que sair como uma louca, andando correndo pela rua e achar um bus que passasse perto da estação de Brixton... consegui e ainda comprei ingresso... ou isso foi no show do Manics? rsrs eu confundindo as confusões rs

Bem, comprei ingresso e show ia começar, como sempre, fui pra frente, pelas beiradas, dou sempre uma de mineira, e... ô, que lugar mais triste! na grade, que estava aberta, do lado... Eu tinha uma visão indecente rsrs


Assisti todo o show desse espaço... mal vi "a capa" do palco... o cenário, mas valeu a pena! ô se valeu!

A banda é extremamente simpática e não para queita, muito menos o Rivers Cuomo, como você pode notar ele em cima da caixa de som do meu lado rs




Em Buddy Holly, Rivers chamou um fã para cantar com eles... foi muito divertido! O rapaz estava de Presto da Caverna do Dragão rs

Mas eu tive outro divertimento... hummmm um segurança liiiiiiindo do meu lado... não consegui bater foto dele na cara de pau... queria ter falado com ele mais - é, consegui algumas palavras dele e quando o Rivers foi pra galera nessa parte debaixo, eu não fui atrás e ainda falei pro segurança: fiquei queitinha aqui! pra ver se ganhava algo com isso, mas... mais um pra minha coleção platônica...
 

Preston e abaixo só a silhueta do segurança gatenho...

Na minha opinião o ponto mais alto foi eles cantaram Paranoid Android do Radiohead... nossa... o O2Academy de Brixton veio abaixo! Foi incrível!!!
no final, a foto pro palco rs





60 -  e lá vou eu pra mais um show em Brixton! 
Primeiro o show de abertura - Kristenn Young, não a conhecia, mas estava abrindo todos os shows do cara... inclusive, acho que abriu o show daqui, em 2012...  quem é o cara?? é O cara... rs
Moz tinha dito que queria morar no Brasil... daí... fui com essa camiseta rs

61 - Morrissey  - 07 de agosto de 2011, Brixton (O2 Academy)

Dessa vez eu já morava em Olympia, então achei que seria bom ir de bus pra economizar, como sempre, achei um bus no site da TfL (Transport for London) e fui... ainda mais porque fiquei com medo que o metrô estivesse fechado, no dia anterior tinha começado a guerra em Londres... foi uma semana angustiante pra mim...

Quando cheguei, às 18:30, estranhei... havia uma fila enorme no lado de fora que ia até a rua detrás... nunca tinha visto isso em Londres rs nunca tinha presenciado fila pra esperar pra entrar num show... e percebi de cara que o cargarejo não seria fácil... e não foi...
eu não tinha ideia da idolatração que o Morrissey tem... sério... sempre gostei dele, dos Smiths, mas juro, não sabia que as coisas poderia ter essa proporção de um deus... de alguém acima de todos... foi um dos shows mais "antropologicamente" novo pra mim rs foi uma experiência totalmente nova e até engraçada... Fãs vestidos como ele, muitas camisetas com ele e parte de venda de artigos do Morrissey era um "show" a parte... e pensei: ah, compro a camiseta no final porque agora perderei um bom lugar se parar pra comprar... é, né?
sim, tinha um Morrissey nu pra vender e vendeu tudo rs
Depois da Kristenn e seu tecladinho bjorkiano rsrs veio o "esquenta Morrissey" com fotos dos anos 50, tipo as capas dos Smiths, sabe? e começaram a tocar e passar clipes do Glam Rock: T-Rex, New York Dolls... só as preferidas do divo...

Quando ele entrou no palco, foi a comoção... o povo ficou ensandecido (ingleses ensandecidos era uma coisa não tão nova, desde o show do Suede - já passou por aqui, dá uma procurada...), mas que deixam buquês de flores, cartas, presentes no palco, jogam no palco era a primeira vez. Morrissey pega e guarda todos com grande respeito... as oferendas para o deus Morrissey rs mas o fãs querem chegar até ele, o gargarejo é um lugar de fanáticos de adoradores por Morrissey e Morrissey canta... ah, que voz... até eu entrei na comoção... só não gostei que ele proibiu fotos e tinha que tirar escondida dos seguranças rs 
A cada canção, mais gente querendo tirar fotos, mais gente querendo subir no palco, ele chamou pra
O Moz tá a cara do Johnny Cash rs
cantar com ele, e ia meio mundo! Era realmente uma comoção...


As músicas eram todas que queria ouvir, claro que queria mais Smiths, mas o que ele cantou já valeu muito a pena... mas os fãs realmente tornaram o show inesquecível...


Morrissey arrancando a camisa
No final, depois de se despedir, Morrissey volta e arranca sua camisa vermelha e joga pro público e começa um guerra, sim! As pessoas começam a se engalfinhar pela camisa do Morrissey... que foi rasgada em vários pedaços, os fãs seguravam e não largavam!!! E iam ficando com os pedaços dos retalhos... era uma situação bizarra, mas devia ser comum nos shows dele... não sei se é... mas o povo transformou uma camisa em vários e vários pedacinhos... e eu na parte de lado da grade que consegui e não saí dali...
No final, quando o show acabou e toda aquele pessoal doente estava saindo, fui até lá, ver se tinha sobrado algum pedaço no chão e não que eu achei um? será que um dia valerá milhões? rsrs


a briga!!! briga!!
relíquia guardada a 7 chaves rs

Bem, muitas emoções numa única postagem... continuo com o 62 na próxima ;)



domingo, 17 de maio de 2015

Os shows que vi - parte 6 - Londres III

chovendo, mas o povo estava preparado
Depois de um longo tempo, estou aqui pra mais 10 shows que vi, ainda na fase Londres.

50 -The Killers, Hard Rock Calling, Hyde Park, Londres - 25/06/2011
reparem ao lado, os tapumes

Uma das minhas bandas queridinhas vista do vão - espero que o vão conte como ver um show.
Explico: quando há shows no Hyde Park, a parte que será o show, pago, eles colocam tapumes metálicos para cercar o local e só entrar quem pagou pelo show. Entre esse tapumes há, se você der a volta no parque, como fiz um dia antes, vãos e buracos de onde víamos o show.
O vão!
É, víamos, alguns vãos eram disputadíssimos!
No dia anterior, como falei, era o show do Kings of Leon então eu passei por lá só pra ver se daria pra ouvir o Killers e reparei nesses vãos que o povo ficava e pensei: amanhã é nois! rs
Sim, no outro dia muita gente que não pagou ou não conseguiu comprar ingressos (sempre tudo lá é sold out) ficou do lado de fora ouvindo e cantando.

Eu saí do trabalho e fui pra lá, pobre como sempre, e como já tinha visto duas vezes os matadores, resolvi dar um tempo pro meu cartão de crédito brasileiro e decidi que só ouviria o show. Fiquei triste, mas era uma coisa que eu tinha que fazer por conta da falta de grana.
Mas foi muito divertido, apesar de ver quase nada, e ter que me revesar com o pessoal que ficava ali querendo ver. Havia um grupo de pessoas divertidas, que cantavam, pulavam e dançavam com as músicas e eu me empolguei também cantando e pulando junto! Não foi tão ruim como pensava que poderia ser...
Tanto que fui no outro dia... o show 51 é o Arcade Fire. O mesmo grupo de pessoas estava ali e cantamos e pulamos de novo e não estava chovendo, como no dia do Killers.

adivinhem...
O único problema do vão desse lado do era ser perto do banheiro
Arcade Fire, palco
masculino... e... homens apressados e ou bêbados não prestam atenção se há pessoas olhando o show pelo vão e vão abrindo suas calças... por mais que víssemos os caras chegando - algumas vezes os seguranças os mandavam pro lugar certinho e não pra fazer ali, nos nossos pés, praticamente (só separados pelo tapume), mesmo assim tive algumas visões do que não queria ver... e uma mulher com uma menina estavam assistindo também o show... a hora que vi que um cara chegava pra arriar as calças pedi pra mãe: não, agora, não... não deixe que ela veja...

Também morri de inveja de algumas pessoas que me disseram que estavam no Albert Hall do Killers, que os tinham visto umas 5, 6 vezes... ô inveja!!!
A verdade é que os dois shows foram lindos, apesar da pouca visão que tive: os Killers terminaram com fogos de artifício e Brandon cantando Moon River... apaixonante!


E o Arcade fez um show vibrante, que reverberou até do outro lado do tapume.

A partir daqui estou do lado de dentro do tapume e longe do banheiro masculino!

Wireless Festival, Hyde Park, London, 3 de julho de 2011

O Festival teve 3 dias: sexta, sábado e domingo, eu só fui no domingo, porque era O dia com o fechamento da noite do Pulp... fiquei ansiosíssima por esse dia.
Blind Pilot
Devotchka
Yuck

Cheguei cedo, sempre fazia isso, afinal, não tinha o que fazer na casa que morava ao não ser sair correndo...
começamos com Blind Pilot, mas não vi inteiro, conta como show  52?
Darei 52 pro Devotchka porque assisti todo e foi muito bom! parece uma banda de circo, sabe? mas são super irreverentes, muito bons!

Eu peguei o finalzão do Yuck, super hype na época.

Mas o 53 é o Metronomy, muito dançante, muito bom! E criativos.

54 - The Horrors, hiper dark o som deles e eu só ficava pensando que o vocalista é filho bastardo do Ian McCullogh rs e se parecia o Richard Ashcroft...

55 - The Hives, esses suecos não são frios, são quentíssimos!
Divertidíssimos, botaram todo mundo pra pular e e pra acompanhar as brincadeiras do vocalista. Adorei o show... são muito, muito bons ao vivo! Ainda mais vestidos de fraque e cartola!


Vi um trechinho de Liam Bayley and cia, mas eu não estava num clima folk, ainda mais depois do Hives...

56 - TV on the Radio - a banda é boa, mas não me impressionou, o vocalista fazia gestos dançando que parecia o Renato Russo rsrs

Grace Jones chegando em sua nave...
Liam Bayley
TV on the Radio
Foals
Daí foi o xou da Xux... ops! Vez da Grace Jones no palco principal, ele também fazem besteiras grandes na ordem e palcos... quando a aeronave aterrissou, eu fui pro palco menor ver o 57 - Foals que estava louca pra ver e que encheu o local minúsculo a que foram relegados...
Povo vendo Foals pelo telão, não cabia mais gente na tenda!
tenda do Foals
Eles mesmos não curtiram o palco e o vocalista reclamou que aquele palco era pequeno pra eles e pela procura do show deles, que a Grace Jones deveria ter sido em outro. Realmente, porque a maioria saiu do principal pra ver o Foals, como eu... e não dava conta,fora que a iluminação e a fumaça ficaram presas na tenda do Foals (reparem nas fotos).

Ainda deu uma xeretada no Funeral Party:


E finalmente aqueles que todos esperavam: 58 Pulp!!
Assim que terminou o show do Foals, eu e a maioria das pessoas voltamos pro palco principal para esperar o show do Pulp. Todo mundo parecia bem ansioso, pois desde o começo, víamos o letreiro da banda pendurado no alto, sem luz, mas estava lá.
Este não consegui o gargarejo, dessa vez ninguém quis sair pra beber e largar o posto!


O suspense para entrada foi grande, mas quando entraram no palco o Hyde Park foi abaixo!
Nunca vi ingleses tão felizes e cantando todas e pulando, era lindo! Eu só pensava: se tivesse crescido aqui como esse povo, eu também teria tido as mesmas experiência com o Pulp: ver shows, ouví-los no rádio (os ouvi muito em supermercado lá rs), coisas que sempre sonhei que minhas bandas fizessem esse sucesso no Brasil, mas... o melhor é que pulei com a inglesada. Duas meninas perto de mim, pulavam muito e se deliciavam com o show como se "os bons tempos tivessem voltado". 
Show com direito a confetes, serpentinas e muita música.
Jarvis Cocker tem domínio total do palco, dança, pula, rebola, faz piadas até sobre Sheffield e canta muuuuito! Um show com direito, no final ao letreiro nos dizer: Good Night! Pulp loves you.
Imaginem todo mundo cantando - só eu com sotaque rs - Do You Remember the First Time? uma explosão de pessoas pulando e cantando o mais alto que podíamos... emocionante!
Adicionar legenda
Um show incrível e um dos melhores que assisti.













Mais fotos:
Fazendo Selfie e... os ingleses não deixam rs
Lá longe fica o vão que estive nos outros shows

Festival é sinônimo de paz, tranquilidade e diversão com os amigos e família



 No próximo post, começamos pelo 59 porque este já está beeeem movimentado, né?